Loucura de Artista

Desde que me entendo por gente tenho esta ânsia esquisita de ser artista. Mesmo hoje, depois de uma graduação em Comunicação Social com habilitação em Cinema e Vídeo e outra graduação em Design em andamento ainda me questiono se posso me denominar “artista”. Amo arte e dizem que vivo fazendo isto quando escrevo, canto, toco, componho, crio. Talvez eu ainda esteja presa ao conceito tradicional de arte, aquela legitimada pelos museus, exposições, publicações, críticos e público. Quem gosta mesmo de arte sabe que ela está além do status de legitimidade e tem uma autonomia que nasce na própria liberdade de expressão e pensamento (quem não gosta muito mas não conhece tanto assim dê uma pesquisada na reviravolta que foi quando Duchamp aproximou a arte do pensamento e a afastou da habilidade de criar algo concreto com os ready-mades). Mesmo com esta compreensão é difícil virar para mim mesma e dizer: “Eu sou uma artista!”. É muito mais fácil concordar com o irmão de oito anos que conclui, ao perguntar qual a sua profissão e não ter respostas muito concretas que você é, de fato, artista. E é com licença poética apropriada nesta prosa que, ao organizar aqui os pensamentos para vocês, descubro esta verdade.

Por volta dos meus doze anos (um bocado antes e um bocado depois) muita gente me chamava de louca. Durante muito tempo contribuí para a perpetuação desta alcunha. Além de achar bonito a rebeldia social contida na palavra, ser chamada de doida me dava uma liberdade incrível de fazer quase tudo o que eu quisesse sem o medo de surpreender negativamente algumas pessoas que importavam, visto que elas não esperavam nada (ou esperavam tudo!) de mim. Ser louca era, portanto, em minha cabeça, uma condição prévia para me tornar artista.

Hoje compreendo a relação entre a loucura e a arte de outra maneira. Acredito que toda arte está ancorada em um deslocamento, seja este na percepção da realidade ou na condição mesma do que é real. É claro que sempre haverá os gênios e loucos que irão causar naturalmente este deslocamento artístico onde quer que passem, dados os limites rasos das massas e a sua grande facilidade em se chocar. Alguns artistas causarão este espanto intencionalmente, outros por pura necessidade de encontrar a sua forma de se relacionar e se comunicar com um mundo talvez incompreensível fora de sua produção artística, assustando ao se assustarem. A própria loucura, como no Alienista de Machado de Assis acaba sendo também relativa. Quais os parâmetros para se definir o que é loucura e o que é normalidade? Fugindo um pouco da realidade (opa!) concreta e passando para a realidade abstrata a loucura do desprendimento, da ingenuidade e da vontade de seguir rumo ao desconhecido do arcano O Louco é extremamente positiva para os artistas e criativos, especialmente para os que não se importam tanto com o resultado final quanto com o processo de criar. Eu amo o processo, ainda que às vezes este seja doloroso e suado, mas eu preciso ficar satisfeita também com o resultado.

É aí que esbarro em um argumento que contribui para os meus questionamentos sobre o caráter artístico ou ordinário do que faço: nada do que fiz, até hoje, considerei espetacular, apesar de já haver recebido elogios e reconhecimentos por algumas de minhas criações. Fora isto ainda existe o fato de eu nem ser tão louca assim de verdade e nem mesmo genial a ponto de ter sido descoberta por um mecenas generoso ou por alguém que quisesse patrocinar ou divulgar o meu trabalho em larga escala. Outro grande dilema é o da distância aparentemente infinita entre o que eu penso e o que eu consigo efetivamente concretizar. Perdi a conta de quantas vezes fui tomada por inspirações incríveis e pela coceira irritante da vontade de criar. Pouquíssimas vezes, no entanto, consegui colocar a inspiração em prática e fazer algo. Ainda menos vezes estes “algos” que eu fiz foram satisfatórios em termos de expressão ou no meu julgamento de produção boa ou produção ruim. Loucura de artista? Deslocamento de percepção? Deslocamento da realidade? Vai saber!

Sobre o Autor

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Paola Giovana

Gosto de me reinventar, sentir o sabor do novo e das infinitas possibilidades da existência. Tenho tendência ao vício pelas coisas boas, obsessão pelo conhecimento e amor pela arte. Sob o signo de Capricórnio, meu destino é conquistar!

10 Comentários

  • Mari (@mari_melo) on 16 de agosto de 2012

    mto bom o texto!
    Massss… como ja te disse, para mim, ser artista não depende de ter um mecenas, nem ser descoberta, nem divulgada, nem nada disso. A partir do momento que criamos, satisfatóriamente apenas para nós ou apenas para o mundo, nos faz artistas. A partir do momento que expomos nossas criações ao mundo (mesmo que o mesmo não nos note), somos artistas. Transformar o pensamento em palavra é uma forma de arte. Uns fazem com lapidação e esmero… outros simplesmente fazem.
    Eu simplesmente faço as coisas… o processo não importa, importa o sentimento, o final, a sensação do topo, pois qndo chego lá, o caminho é esquecido pelo extase!
    O fato de sabermos ser nós mesmos, sem interferencia da sociedade ou de estereotipos já pode ser considerado um tipo de arte!

    viu? arte é abstrato, assim como suas formas, processos, etc…

    a proposito, te amo demais!

    • Paola Giovana on 16 de agosto de 2012

      Também não acho que dependa exclusivamente de ser descoberta e ter o trabalho divulgado, sabe? Mas quis dizer que se já houvesse feito algo espetacular e genial provavelmente já teria sido descoberta e teria a legitimação do reconhecimento como mais um argumento para me convencer de que sou artista. Acredito que vou me questionar durante um bom tempo ainda sobre eu poder ou não me autointitular artista. dhsaudhsau Mas concordom contigo, meu amor, que o mais importante nisto tudo é o sentimento que temos quando criamos ou o que queremos causar com nossa criação. =p Também te amo demais!

  • Cari on 16 de agosto de 2012

    Engraçado, esses dias eu tava pensando exatamente isso…a questão de ser artista na nossa sociedade acaba tendo um caráter pejorativo, arrogante até. Porque parece que se precisa de um “aval” de outras pessoas ou instituições de renome pra ser um artista. Veja, uma pessoa que cultiva um jardim com esmero, com delicadeza e sensibilidade é um artista. Uma rendeira no nordeste é uma artista. Um cara que picha muro com stencil de protesto é um artista. Arte é expressão, é uma satisfação e uma necessidade de cada pessoa. Por isso não se trata só de beleza e equilíbrio, mas de caos, de sentimento, de trabalho. Não é estar sob holofotes, pois a maioria dos que estão e se auto-intitulam artistas, são pessoas de fama, famosos apenas (talvez, a busca de fama seja uma arte tb, vai saber hahah). Mas se vc me pergunta se eu gosto da palavra, se gosto de me referir a mim como artista, sinceramente, não muito. Mas apenas por esse sentido que a sociedade atribuiu. Intimamente, quando um amigo vê algo que eu fiz e diz que eu sou uma artista, eu me sinto feliz, pq lembro de figuras que eu admiro e que eram verdadeiros artistas, guiados pelo sentimento ( como van gogh) e não tem como achar ruim. Não acho que se precise viver disso pra ser artista, nem viver nas ruas, nem ser famoso ou anonimo. Muitos artistas vivem sua arte no seu próprio mundo. Resumindo, não acho que quem faz algo q ache artistico só pela alcunha de artista seja um, ou mereça o título ( o que infelizmente acontece demais por aí, pseudo-artistas) mas na pratica, quem faz, quem não consegue viver sem uma forma de expressar o próprio mundo interior é artista. Não sei se ficou claro, mas é isso…hahaha
    beijos! ótimo texto!

    • Paola Giovana on 17 de agosto de 2012

      Ei Cari! Adorei os exemplos de artistas diferente! É mesmo estranha a forma como sociedade atual em geral trata a questão da arte e dos artistas. Muitos ainda consideram o artista um vagabundo que vai morrer de fome porque não trabalha. Como ignoram a quantidade de trabalho que dá traduzir o que a gente sente em qualquer forma de expressão externa! E quantos sentidos e características absurdas a maioria das pessoas atribui aos artistas! Existe mesmo uma grande distância entre o que se considera como arte ou como artista por aí e os pequenos e maravilhosos atos artísticos que acontecem anonimamente todos os dias. Não consigo deixar de imaginar quantos e quantos artistas no mundo inteiro fazem as “traduções” mais incríveis dos seus pensamentos e ainda assim não se consideram artistas. Ainda bem que temos os amigos pra nos ajudar a enxergar alguns momentos de arte em nossa vida! dhaudshdsa Beijos!

  • Cari on 16 de agosto de 2012

    depois que eu terminei de escrever, senti falta de complementar o raciocínio.
    Acho que assim como cada pessoa tem um tipo de aptidão/papel na sociedade, o “artista”, seja escritor, pintor, músico, também usa sua expressão como forma de válvula de sentimentos dos outros, ou seja, transmitindo algo próprio, íntimo, ele acaba dialogando com os aspectos internos/alma das outras pessoas. é como se o artista fosse aquele capaz de trazer a tona nossos aspectos humanos, nos fazendo confrontar ou encontrar aspectos abstratos, fisicamente, mesmo não-intencionalmente.
    agora sim, completei…hahah =)
    beijos!

    • Paola Giovana on 17 de agosto de 2012

      Pra mim a resposta de antes já estava completíssima! dhaudhasu Mas esta completou a nossa linha de raciocínio muito bem! Acho que é por aí mesmo. A grande capacidade do artista é a de tocar, de provocar alguma coisa em alguém, mesmo que a intenção por trás da obra tenha sido apenas a expressão do que o artista quis externalizar para o mundo. Não acredito, por exemplo, que seja imprescindível entender a arte para se gostar de arte. Acho que gostamos exatamente do que a arte nos causa, do “espanto” nos termos filosóficos, do horror ou amor que sentimos quando entramos em contato com alguma obra e, através dela, com algo em nós mesmos ou no mundo. Ah, que delícia a existência artística! *.*

  • Jonathan on 17 de novembro de 2013

    Olá Paola Giovana!

    Desculpe, você não me conhece, mas achei você através de um comentário que você fez no Youtube.
    Entrei no seu perfil e encontrei o seu wordpress e seus contatos através dali.
    Gostei muito desse seu “blog/site” e me identifiquei particularmente com esse seu post.
    Seu que é antigo esse post,mas gostaria de compartilhar uns pensamentos meus, algumas aflições para ver se ,de alguma forma, enriquece esse debate e se você também sente as mesmas angústias que as minhas.

    A minha maior preocupação em relação a arte não é nem mesmo sobre a produção da arte, a questão do talento e do artista e muito menos identificar o que é arte ou o que não é.
    Não que não seja um debate importante, mas acho que o buraco é bem mais embaixo.
    Tenho certeza que todos somos capaz de produzir arte. Como você mesmo disse, independentemente se conhecemos a estética e história da arte ou não. Agora, aqueles produzem obras artísticas de qualidade, com profundidade suficiente para penetrar a mente de varias pessoas durante um tempo indeterminado, são realmente poucos.

    Mas a minha maior preocupação é em relação a existência da arte.
    Se ela não for divulgada, ela não existe. Ou melhor, existe, mas apenas para quem a criou.
    E eu, Paola, acho que criar arte para nós mesmos não é suficiente. Ela só existe se for compartilhada.
    Escrever um conto e não mostrar para ninguém, pintar um quadro e não deixar ninguém ver, fazer uma musica sem tem quem ouvir não vale de nada. È só meio caminho nadado. Meia arte,

    Tanto, que você mesmo Paola, criou um blog para expor a sua arte. Senão, era muito mais fácil você escrever seus contos,suas prosas e rimas, e deixa-las presas no computador, escondidas na pasta do Word, correto? 🙂
    Quando você produz e não mostra, sente um vazio,né? Uma incompletude… falta algo. Pelo menos comigo é assim.

    E é aí, Paola, na divulgação da arte, é que o bicho pega! 😛
    Se a arte é subjetiva, se todas as obras de qualidade merecem ser divulgadas e compartilhadas com o mundo, porque nem todas são?
    Porque vemos grandes porcarias (em termos de qualidade) vendendo tanto? Tanto em livros, como em filmes., como principalmente em musica….?

    Aposto que já viu muita gente talentosa, muita obra grandiosa, que você já pensou:
    “Putz, como ninguém viu isso ainda? Como pode ter tanta pouca venda, pouco acesso?”

    Ai é que eu tenho medo.
    Sabemos, você e eu, que não se trata apenas de mérito, de puro talento artístico. Você precisa fundamentalmente do tal do “Q.I”,né? Você, formada em Cinema, aposto que já ouviu falar,né? 😛
    Ai é que eu tenho um grande pessimismo com o ato de viver de arte.
    Precisar ter o talento de conhecer as pessoas certas para divulgar a sua arte. Isso sim. Vemos na música contemporânea isso: talento é a última coisa que eles levam em conta.
    Ou seja, não estamos falando de talento artístico, de puro talento e qualidade estética de uma obra, mas sim de esperteza,certo?
    Tem muita coisa ruim vendendo e sendo divulgadas aos montes, em todas as áreas artísticas, porque?

    Aposto que já pensou: “Pô, isso sim deveria estar no top 10! Ou isso sim deveria ter sido publicado! Ou esse filme sim deveria ter 200 copias nos cinemas!” certo?
    E porque não tem?
    Porque existem tantas coisas boas sem o devido reconhecimento? Tantos artistas sem oportunidade?
    Porque não eram talentosos? Claro que não. Mas porque não quiseram sujar as suas mãos, para terem os seus trabalhos publicados e vendidos….

    Quando você entra na industria cultural, minha amiga, a arte perde sempre um pouco do seu brilho. 🙁
    Isso eu tenho medo. De ter que vender uma casa para meu filme ser distribuídos em apenas 3 salas de cinema do Brasil inteiro e ser visto por menos de 1000 pessoas, enquanto outros, que apenas filmam por uma questão financeira e industrial, e não artística, conseguem mostrar seu trabalho apenas por saberem fazer política de um jeito menos ético, mais sujo.
    Produzir, eu tenho certeza que é possível. Para todos que querem se expressar artisticamente!
    Agora,mostrar….ai ai….é para o pessoal do andar de cima. Apenas.

    O meio artístico não tem, em nada, de distinto do mundo da política. No final é sempre o mesmo jogo sujo que você tem que aprender a jogar se quiser existir. 🙁

    Enfim, é só isso. Só queria desabafar e encontrei um espaço bacana para isso.
    Parabéns pelo blog e estou ansioso para ver seus trabalhos através do seu futuro site.
    Parabéns pela sua arte que merecia estar em lugar melhor do que apenas na internet!

    🙂

    Beijos.
    Um prazer,
    Jonathan.

    • Paola Giovana on 19 de novembro de 2013

      Oi Jonathan! Tudo bem contigo?

      Bem, pra começar queria agradecer por aparecer por aqui e compartilhar suas reflexões. É sempre bom quando essa coisa maluca que é a internet nos faz encontrar pessoas com pensamentos próximos aos nossos! =D

      Muito interessante a questão que você coloca sobre a existência da arte. Não sei se penso que para ela existir seja imprescindível um ou mais observadores/espectadores/fruidores… Já vi fotos de intervenções artísticas em lugares desertos e com probabilidades mínimas de serem visitados (o que não me serve muito de argumento, já que, de alguma forma eu e outras pessoas pelo mundo ficaram sabendo da existência destas obras, mesmo que através de fotos). O que quero dizer é que o conceito de arte passa por muitos aspectos complicados de se definir, o que faz com que ela mesma seja algo assim bastante abstrato e muitas vezes subjetivo. Então não sei se acredito que uma arte não divulgada seja “meia arte”, mas concordo contigo que a potência da arte só é realizada quando esta encontra seu público.

      Infelizmente, entre a arte e o público existe um grande abismo que é o mercado/indústria. E, neste funil, empresários selecionam o que lhes parece mais lucrativo, não o que se qualificaria como uma obra mais profunda, bem acabada ou com um conceito mais interessante. É mesmo bastante triste pensar neste ponto, porque daí surgem duas questões: o mau gosto e falta de comprometimento do mercado com a arte e a expectativa de que a massa não se interessa ou não compreende coisas mais complexas (ou apenas diferentes) do que as porcarias com que está acostumada. Continuam procurando mais do mesmo para vender e divulgar, o que torna essa relação arte x mercado algo um tanto injusto mesmo.

      Ainda bem que temos muitos artistas independentes procurando suas próprias formas de alcançar o público. Neste sentido, a internet é uma ferramenta fundamental, não apenas para a divulgação mas até mesmo para a captação de recursos para projetos, com o crowdfunding, por exemplo. É engraçado, porque mesmo na divulgação independente, ter contatos ou pessoas de influência para indicar e compartilhar o trabalho acaba fazendo diferença na visibilidade que as produções artísticas alcançam ou podem alcançar. Isso me faz pensar na credibilidade que os meios de comunicação e os “formadores de opinião” têm para a grande maioria da população. Como você sabe, a divulgação nestes meios tem custos que muitos artistas não conseguem bancar. Mas esta exposição específica, massiva, tem também um público que pode não ser o foco de determinado artista. É claro que quanto maior a divulgação, mais probabilidade de retorno financeiro e de reconhecimento, porém não podemos deixar de considerar o prazer que sente um artista de ter sua obra encontrada por um público de nicho e divulgada por ele. É como o prazer que tenho quando aparecem pessoas como você neste espaço em que meus textos podem ser encontrados apesar da divulgação precária. É muito importante que a arte e o artista alcancem seu público, mas é muito gostoso quando o próprio público encontra a arte e o artista.

      Bem, tudo isso não diminui a necessidade de questionarmos o processo “tradicional” de distribuição e divulgação artística e a falta de visibilidade para trabalhos de qualidade. Esta divulgação tradicional ainda se faz de cima para baixo, onde quem tem mais dinheiro ou contatos tem muito mais chances de ter seu trabalho divulgado do que os artistas de quintal. Mas penso que estamos prestes a mudar a força dessa imposição cultural (a longuíssimo prazo, claro). Se não temos recursos, contatos influentes ou nossos princípios não permitem que sujemos as mãos, as idéias e nossa arte para entrar no circuito oficial de divulgação, o que podemos fazer à margem disto para alcançar nosso público? Para começar, podemos aprender as estratégias que mantém estes polos no poder de influenciar o público. Depois de entender pelo menos um pouco destes mecanismos podemos adaptá-los à nossa realidade. No caso do audiovisual, por exemplo, a indústria não vende apenas os filmes. Muitas vezes busca produtos agregados, como os bonecos de filmes de animação, as camisas, etc. Além da possibilidade de ganhar uma grana com produtos relacionados à nossa obra acabamos conseguindo uma divulgação extra. Outra estratégia importante é a de engajar seu público e tornar a divulgação algo orgânico e até desejado por eles: criar experiências impactantes relacionadas a seu trabalho. Se seu filme, sei lá, falasse sobre o fim do mundo sob a perspectiva da civilização maia, por exemplo, você poderia criar uma ação online em que as pessoas tivessem acesso a um aplicativo que ensinasse a entender a forma com que os maias lidavam com o tempo (um calendário maia educativo, que também mostrasse a “tradução” dos símbolos, além de relacionar o nosso cálculo de tempo com o deles).

      Enfim, também penso que a indústria cultural não faz jus à quantidade de artistas e trabalhos bons que existem por aí e muitas vezes impõe uma arte e uma cultura que nem reflete a sociedade, mas acaba condicionando-a a não exigir mais qualidade. Mas tirando o pessimismo com a parte que não podemos mudar por sermos peixes pequenos, o oceano é muito grande e existem outras águas para nadarmos. Precisamos mesmo aprender a usar os recursos gratuitos que temos e este outro meio em que há pessoas na mesma frequência que nós, esperando apenas encontrar algo como o que fazemos.

      Sinta-se à vontade para aparecer mais por aqui e mesmo para falar comigo por email. Geralmente tenho um bocado de ideias, mas pouco tempo e grana pra colocar em prática, mas posso tentar ajudar a encontrar formas interessantes para você divulgar sua arte. =D

      Mais uma vez, obrigada por compartilhar seus pensamentos e abrir espaço para novas reflexões!
      O prazer foi meu!

      Beijos,
      Paola.

      • Jonathan on 19 de novembro de 2013

        Oi Paola!
        Obrigado pela excelente e atenciosa resposta!
        Mas gostaria de conversar mais contigo, mais profundamente, sobre isso e outros assuntos através de um lugar mais privado, como um e-mail. Para não ficar lotando os seus comentários de conversar. 🙂

        Como posso entrar em contato contigo? Através de qual e-mail?

        Fico aguardando uma resposta.

        :Beijos.
        Jonathan Vasco.

        • Paola Giovana on 19 de novembro de 2013

          Ei Jonathan!

          Seu email aparece pra mim aqui no painel, então já te mando uma mensagem pra nos comunicarmos, certo?

          Beijos!

O que você acha disso?