Drummond, subtexto e Sartre – Interpretação I – 07/04/2015 – DB04A06

Drummond

A proposta do dia foi diferente do que já havíamos feito até então. Deveríamos ter decorado um poema de Carlos Drummond de Andrade à nossa escolha. Acabei tendo que escolher o meu durante a própria aula, pois embora o professor tenha nos avisado da tarefa por email não consegui tempo suficiente para fazer isto antes. Já havia separado em casa o livro “Sentimento do Mundo”, um daqueles livros que nos são emprestados por pessoas que nunca mais vimos e que acabam ficando sob nossa guarda até que um novo encontro aconteça (ou não).

É curioso como a admiração por Drummond é algo que acomete à maioria dos que sofrem dessa doença da poesia. Em 2010 a poetisa Marina Mara organizou uma intervenção sob o nome “Declame para Drummond” para comemorar o aniversário do ilustre poeta. Convocou poetas de todo o país (e inclusive de fora dele) para enviarem seus poemas e carinhosamente agrupou-os em um arquivo, repassado aos participantes para que distribuíssem e declamassem em sua cidade. A intervenção poética se repetiu em 2012, quando participei pela primeira vez. Enviei “Do Fogo e do Vento”, que considero ser um dos meus melhores (se não o melhor) poemas, além do apreço emocional que me causa.

Subtexto

Feito este aparte sobre minha conexão com Drummond, voltemos à aula. Escolhi o poema “Em Face dos Últimos Acontecimentos” e, obviamente, não tive tempo de decorar. Mesmo assim apresentei. Ao longo das apresentações tivemos indicações do professor e discutimos a respeito do sentido das partes dos textos, de modo a compreender melhor o subtexto de cada “personagem”. Algumas dicas foram importantes para não parecer que apenas recitávamos, mas que nos apropriávamos realmente daquelas palavras:

  • Evitar as rimas, quando houvesse, prezando por uma expressão que se aproximasse mais do modo coloquial ou naturalista de se dizer as frases, melhorando também a compreensão do sentido para o expectador.
  • Tentar passar as emoções/sensações explícitas ou implícitas no texto.
  • Olhar para a plateia, evitando desviar o olhar. A ideia era conseguir, com este recurso, focar a própria atenção, além de conquistar o envolvimento do espectador.

Pausas

Pode parecer ridículo para quem já tem contato com poesia há tanto tempo, mas foi a primeira vez que pensei conscientemente sobre como as quebras de linha nos poemas instituem pausas extra, além das presentes também em outros tipos de textos através de vírgulas, pontos finais, reticências, etc. Bem, parte do nosso trabalho ao falar o texto foi o de recompor estas pausas das linhas, o que alterava de certo modo o sentido original do poema em seu caráter poético, aproximando-o um pouquinho do gênero dramático.

As cenas

Ao final da aula conversamos sobre a definição das cenas. O professor sugeriu que escolhêssemos alguma das peças do Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha, porém muitos de nós não conseguimos encontrar as peças na internet ou na biblioteca do IFAC. Perguntei se poderia, então, escolher uma cena da peça “Entre Quatro Paredes”, do Jean-Paul Sartre, famosa por apresentar concretamente o conceito da expressão “o inferno são os outros”. A escolha foi aceita. Enviei hoje o texto para o Bruno e a Isabelle pra ver se eles topam contracenar comigo.

Sobre o Autor

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Paola Giovana

Gosto de me reinventar, sentir o sabor do novo e das infinitas possibilidades da existência. Tenho tendência ao vício pelas coisas boas, obsessão pelo conhecimento e amor pela arte. Sob o signo de Capricórnio, meu destino é conquistar!

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