Escolhas e sentidos – Fundamentos de Direção – 18/03/2015 – DB02A03

Mais uma aula de Fundamentos de Direção Teatral. Desta vez o professor nos surpreendeu com a possibilidade de dirigirmos ou não na disciplina. A turma é bem grande e devemos contar apenas com os colegas desta sala para compor a equipe de trabalho. Alguns já se manifestaram, preferindo apenas atuar. Serão avaliados a partir do desenvolvimento e compreensão do processo que será realizado pelo diretor. Eu, como já havia falado no diário anterior, pretendo dirigir.

Instruções

Conversamos a respeito das diretrizes para a execução das peças ao final. Ficou decidido que deveríamos apresentar uma cena de algum texto dramático, cuja duração no palco não ultrapasse os 15 minutos. Devemos nos ater ao texto, sem adaptações ou “atualizações”, porém podemos pegar trechos de outras cenas cujas ações impliquem em continuidade em relação à cena principal que escolhermos.

Ainda estou bem em dúvida sobre a escolha do texto. O tempo é bastante curto, mas estou pesquisando autores que já me chamaram atenção por seus posicionamentos, como Sartre, Caio Fernando de Abreu e Hilda Hilst. O professor indicou a escolha de narrativas que tenham alguma relação ou referência aos arquétipos mitológicos, visto a ampliação das possibilidades de sentido e escolhas estéticas. Nos explicou, também, como tudo na cena vai se tornando linguagem, cada ação e composição do espaço servem como um alfabeto que se une para apresentar a visão de mundo do diretor.

Exercícios práticos

Após as discussões, passamos para a prática. Seguem alguns dos exercícios que fizemos:

  • Todos em pé, demos as mãos e formamos dois círculos, um maior do lado externo e outro menor no interior. Através de comandos de som (palmas) deveríamos alternar entre ocupar o menor espaço (sem soltar as mãos ou desfazer os círculos) e o maior espaço possível.
  • Soltamos as mãos e começamos a andar pelo espaço. Com as indicações, deveríamos mudar de direção (assim como no exercício de Interpretação I). Depois o comando era abraçar e soltar a pessoa que estivesse a nossa frente, mantendo a continuidade com o andar ocupando equilibradamente o espaço.
  • Agora estávamos deitados. No plano baixo deveríamos expandir e encolher. Depois passamos para os outros planos, com a mesma alternância entre expandir e contrair, devendo manter as posições até que o próximo comando fosse dado.

Mais conversas

Praticamente todos os exercícios de improvisação são feitos sem fala. O professor diz que apenas quando julgarmos completamente imprescindível devemos falar. O problema é que a fala conta, enquanto a ação mostra. O que nos interessa, portanto, nesta etapa do aprendizado, é a ação. Outro ponto que devemos observar é se estamos mantendo a ação essencial ou a complexificando desnecessariamente.

Começamos outro exercício.

Improvisações

Partindo das suas referências da Viola Spolin, o professor propôs que cada um executasse uma ação com um objeto (uma garrafa de água), ressignificando-o de modo que nunca fosse utilizado com sua função real (recipiente com líquido a ser bebido). O professor contava de um até três para indicar o momento de início da ação, que deveria ser realizada apenas dentro do espaço quadrado marcado com fita crepe no chão.

Em relação às atividades de Interpretação I, a improvisação com o uso de um objeto cênico aqui em Fundamentos de Direção ficou mais clara. É como se o objeto trouxesse algum amparo em nossa função de construir uma realidade dentro de um espaço vazio.

O professor falou, também, sobre a lógica interna da personagem e pontuou a diferença entre ação e situação. Como é possível perceber, há semelhanças entre as aulas de Interpretação e Direção. Ambas partem do mesmo método, o sistema de Stanislavski.

Texto e ação

Na segunda parte da aula nos dividimos em duplas e foi dado a cada uma um texto bastante simples (no máximo uma página) para que decorasse. Depois do tempo para decorar, cada dupla deveria apresentar. Os textos eram relativamente abertos, possibilitando escolhas de circunstâncias e ações que complementassem as palavras a serem ditas, de acordo com a criação do ator.

Apresentamos a primeira vez e discutimos a respeito das apresentações. Agora deveríamos repetir as ações, porém enriquecendo-as com um subtexto, como se fossem mesmo motivadas pelas condições das personagens que imaginamos. A segunda apresentação ficou bem mais clara, alcançando melhor o objetivo de transmitir sentidos.

Sobre o Autor

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Paola Giovana
Gosto de me reinventar, sentir o sabor do novo e das infinitas possibilidades da existência. Tenho tendência ao vício pelas coisas boas, obsessão pelo conhecimento e amor pela arte. Sob o signo de Capricórnio, meu destino é conquistar!

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