Imagem Dramática – Ação / Situação – Interpretação I – 17/03/205 – DB02A03

Segundo diário de bordo. Ainda procurando encontrar a melhor maneira de registrar as experiências e escrever sobre elas. Segue o que desenvolvi a partir das anotações e memórias.

A imagem dramática

Na aula anterior o professor pediu que levássemos imagens dramáticas para trabalharmos. Escolhi esta, cuja legenda indicava ser de um bombardeio a Londres no ano de 1940.

A aula foi principalmente prática. Colocamos as imagens que levamos ao lado uma da outra e fomos observar as demais imagens. Em seguida o professor pediu que deixássemos as imagens de lado.

Os exercícios

Começamos então os exercícios físicos, antes do desenvolvimento através das imagens dramáticas:

  • Fomos instruídos a deitar no chão e relaxar os músculos, inclusive os faciais, diminuindo a tensão da língua dentro da boca. Precisávamos manter os olhos abertos, pois o relaxamento não deveria implicar em perda de consciência em qualquer nível.
  • Em seguida, ainda deitados, deveríamos nos encolher ou expandir o máximo possível, com precisão, de acordo com os comandos previamente instituídos relacionando cada uma das ações a uma quantidade de palmas (uma para encolher, duas para expandir).
  • Ainda a partir dos mesmos comandos, passamos a explorar os planos alto, baixo e médio. O critério das palmas agora era trocar de plano a cada palma e manter a posição executada, até o próximo comando. A precisão e agilidade eram observadas.
  • Terminamos os exercícios no plano alto. Deveríamos andar pelo espaço, ocupando-o do modo mais equilibrado o possível. A concentração também deveria estar no olhar, um olhar “vivo”, observando as pessoas e os espaços pelos quais passávamos, e não simplesmente ignorando-os.
  • Ainda nos movimentando pelo espaço, novo comando a partir das palmas: virar lateralmente, em 90º para a esquerda ou direita, como nos aprouvesse, porém sempre com prontidão e precisão.

Fim dos exercícios.

Como complemento para entender a relevância dos exercícios acima e a importância da atenção para o trabalho do ator, de acordo com o método de Stanislavski, aconselha-se a leitura do seguinte texto: “A atenção em A preparação do ator de Stanislavski“, de Leonel Martins Carneiro.

Encenações

Após o aquecimento e despertar de nossos corpos, partimos para outra atividade. A proposta era encenarmos, individualmente, algo que vimos ou que vivenciamos nos últimos quatro dias (da sexta-feira até a terça-feira, o dia da aula). Além de ativar nossa memória e observação, o exercício nos demandou uma síntese de um acontecimento em apenas uma ação (no sentido de Stanislavski). Após as apresentações de cada um, discutimos as cenas, buscando os pontos onde elas eram claras e objetivas e os pontos onde a ação principal se perdia seja por ausência, excesso ou exagero de movimentos ou mesmo por se tornar uma situação. Algumas cenas foram repetidas, sendo lapidadas.

O exercício seguinte foi realizar a mesma ação, agora porém com uma intenção/objetivo por trás, mesmo que fundamentados em um subtexto que nós mesmos criamos. Observamos a diferença de impressões causadas pela primeira encenação desta segunda, onde as ações pareciam mais reais.

As imagens dramáticas no corpo vivo

Após o intervalo iniciamos, finalmente, o trabalho com as imagens dramáticas. Primeiro foi pedido que explicássemos por que escolhemos aquela imagem, ou de que modo ela nos parecia dramática sem, no entanto, desenvolvermos sobre ela uma narrativa ou história que interferisse na recepção de nossos colegas ao que deveríamos fazer.

Passamos então para a encenação das imagens. Cada um realizou a sua, procurando explorar seu potencial dramático. As imagens mais complicadas de se executar foram as que tinham muitas pessoas ou apenas uma em um close que dificultava a compreensão do seu contexto e a imaginação de um subtexto que fundamentasse a “personagem” da imagem. Após as várias cenas, discutimos sobre a execução de cada um e rememoramos as imagens de origem.

Compartilho o que restou das observações para mim:

  • Recursos das primeiras encenações (as originadas das lembranças, não das imagens) foram reutilizados nestas últimas apresentações, sendo re-significados. Como exemplo, meu colega Anderson utilizou o mesmo “desdobramento” em cena que eu havia utilizado na encenação da lembrança, executando ações de dois tipos diferentes de personagens de modo a criar a percepção não só de uma maior quantidade de pessoas como também de distanciamento entre estes dois pólos de indivíduos. Além disto, conseguiu também explorar bem o espaço, criando a ilusão no espectador de suas demarcações. Ele estava representando uma imagem de uma marcha nazista para a população. Outro ponto de sua encenação mencionado na discussão é como a crença do ator contagia o público.
  • No caso de motivações muito internas, como a imagem de um pensador ou filósofo, representado pela Flaviana, houve a dificuldade de fisicalizar as intenções da personagem. A impressão é que talvez uma menor movimentação no espaço pudesse passar melhor a mensagem de observação e análise que sua personagem implicava.
  • Quando não temos material suficiente para trabalhar, no caso das imagens, por exemplo, quando elas não nos fornecem contextualização suficiente ou possibilidades dramáticas muito fortes, devemos buscar nossa própria inspiração, ativando a imaginação de modo a tornar a ação real.
  • O ideal é que o universo fictício apresentado pelos primeiros momentos de ação se mantenha, caso contrário a distância entre ele e a expectativa do espectador acaba por gerar problemas de entendimento e incoerências que diminuem o potencial de significação da cena.
  • A ausência de determinada memória emotiva pode prejudicar ou dificultar o trabalho do ator. Como exemplo, temos a cena em que foi representada a imagem de um africano faminto, prestes a ser devorado por um urubu. Às vezes nos falta empatia suficiente, ou mesmo experiências de vida para conseguirmos passar a intensidade do sofrimento de determinada personagem.
  • Uma cena que foi bastante elogiada foi a que a Nathane representou uma manifestante. Também conseguiu dar a impressão de que havia muito mais pessoas em cena, além de manter uma ação interna ininterrupta e constante. Um dos pontos ressaltados foi a característica dramática da cena e da ação, que longe de ser representativa, aproximava-se de um acontecimento real, o qual parecia estar acontecendo ali em frente aos nossos olhos. Apenas com o gesto final houve uma perda de potência em relação às ações anteriores, pois para alguns deu a impressão contrária ao que estava sendo desenvolvido como motivação da personagem.
  • Outra cena exemplar foi a do Bruno. Sem nenhum objeto de cena para auxiliar, foi possível vê-lo agir como se estivesse a uma enorme altura. O olhar enriqueceu bastante a composição do corpo no espaço e um dos destaques ressaltados pelo professor foi quando ele se abaixou ainda mais para se aproximar da beirada imaginária, “achatando” o espaço.
  • Fiquei surpresa com a impressão causada pela minha cena. Consegui passar a importância do objeto imaginário (a boneca) e mostrar o desenvolvimento da personagem em sua situação inicial de inocência para a súbita maturidade devido ao acontecimento do “bombardeio”. No entanto, houve um feedback de que eu “escondi” a ação em alguns momentos. Acredito que poderia melhorar isto se estivesse mais segura da minha própria capacidade. O que me faz “recolher” a ação ainda é esta dificuldade em me expor sem sentir que tenho a habilidade necessária.
  • A cena da Ingrid mostrou um recurso muito interessante em relação ao espaço. Após atravessar uma porta, ela continuou a ação em outro “cômodo”, como se realmente houvesse entrado nele, mas as paredes fossem transparentes, possibilitando nossa visão.
  • A cena da Julie Keyt foi no contraponto da maioria das imagens dramáticas, todas um tanto quanto tensas. No seu caso o contraste ficou evidente entre a tristeza da personagem no início da cena e sua extrema felicidade ao fim.

Sobre o Autor

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Paola Giovana

Gosto de me reinventar, sentir o sabor do novo e das infinitas possibilidades da existência. Tenho tendência ao vício pelas coisas boas, obsessão pelo conhecimento e amor pela arte. Sob o signo de Capricórnio, meu destino é conquistar!

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