Stanislavski em Interpretação I – 10/03/2015 – DB01A02

AULAS 01 E 02

Uma dúvida que me assolava antes de entrar no curso de Artes Cênicas, além de como era realmente o processo de seleção para a transferência de curso ou mesmo no vestibular (devido às provas de aptidão), era sobre como eram as aulas. Não encontrei praticamente nada na internet explicando efetivamente como se dão os testes práticos, e muito pouco também sobre as atividades práticas em sala. Aproveito, então, a solicitação de alguns professores de escrever diários de bordo sobre o processo de desenvolvimento das disciplinas, para dividir com você estas experiências. Desconsidere, por favor, minha inexperiência, crueza e até meu extremamente limitado conhecimento prévio na prática teatral.

Vou começar com a aula de Interpretação I.

A primeira aula

No primeiro dia temos geralmente a apresentação e discussão do Plano de Ensino. Não foi diferente desta vez. Segundo a Ementa enviada pelo professor Wilson, as propostas da disciplina este semestre são:

Trabalho do ator sobre si mesmo a partir do conceito de ação e de sua objetivação na cena, na relação com situações e personagens fictícios. Desenvolvimento da capacidade de tornar real um evento fictício a partir da “construção da realidade”. Diário de construção de cenas. Apresentação de cenas.

Ao longo da apresentação das atividades a serem realizadas o professor nos provocou com questões sobre o que é ser ator. Muitas respostas foram dadas, mas prevaleceu a ideia de que somos indivíduos que emprestam seus corpos para histórias de outros seres, os personagens. Como não há como fugir completamente de nós mesmos e nosso repertório de experiências, emoções e pensamentos, as personagens tem sempre algo que já nos pertence, que nos constitui. No entanto, ficou muito clara a separação entre a personalidade do ator e a personalidade que ele representa em cada uma de suas personagens ao longo de sua trajetória artística. A completa identificação entre estas duas personalidades (a do ator e da(s) personagem(s) provavelmente nos levaria à loucura.

No segundo momento da aula fizemos alguns exercícios práticos, envolvendo o ato de estar presente e disponível e o de artificialmente criar um universo ou ação que pareça real, tarefas do ator.

A segunda aula

Aqui já começamos a trabalhar mais explicitamente dentro dos conceitos de Stanislavski. O professor havia nos enviado o texto “Pequeno Léxico Stanislavskiano”, no qual há breves descrições dos termos usados pelo diretor russo em seu sistema. Discutimos sobre o que seria uma ação interna, uma ação externa, uma ação móvel e uma ação imóvel e sobre a possibilidade de coexistência entre ações aparentemente opostas, como a interna e a móvel e a externa e a imóvel.

Algumas pontuações ao longo da aula também permaneceram:

  • A necessidade de parecer “vivo” em cena, mesmo na imobilidade.
  • A necessidade de haver fricção/choque de vontades ou objetivos para haver conflito.
  • A arte teatral como artifício, a “criação” de um mundo “paralelo” ao real.
    • A personagem como máscara.
  • A verdade cênica.
  • A diferenciação entre “ação” e “situação”
    • Entendendo-se aqui a ação como o movimento físico que cria contraste com o espaço e a situação como uma sucessão de ações, onde o objetivo e o conflito geram a necessidade de uma resolução.

Sobre o Autor

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Paola Giovana

Gosto de me reinventar, sentir o sabor do novo e das infinitas possibilidades da existência. Tenho tendência ao vício pelas coisas boas, obsessão pelo conhecimento e amor pela arte. Sob o signo de Capricórnio, meu destino é conquistar!

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