(Ca)Fé…

“Meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim” Perceber a pureza do puro pó de café calar as coisas, colar os cacos, cansar o cansaço sem esquecer aqueles cigarros as cinzas que eu sou as suas cicatrizes e o resto do belo que alguém já tocou. Entrega Entrego Derramo e devoro. O encontro embaçado […]

Heroína

Alguém através de mim quer escrever e se fazer ouvir. Alguma alma aleatória quer grafar randomicamente pedaços de palavras soltas e talvez sutis. Éter, Ester, estrela. Ex-bandida do almanaque envelhecido jogado na rua. Encontrada depois da enxurrada. Amarelada, mofada, podre nas páginas desgastadas e decadentes de mais uma vida esquecida. Ela também já fora heroína.

Solidão

Solidão é sede, ausência de encontro. Mais do que vazio: presença imperativa de um silêncio vindo das reticências de onde deveria se ouvir um eco da alma.

Memórias

Da próxima vez que alguém vier me perguntar há quanto tempo estamos juntas, eu direi: estive com ela a vida inteira, mas só agora me dei conta. Não fui avisada. Atravessou-me como sempre me pertencesse, como se encaixasse sem esforço algum em minha vida, nesta minha vida de agora; vinda de outros tempos, outras histórias, […]

Cachos

Vim colher meus cachos. Eles florescem em suas mãos. Recolho todos os feixes, os fachos de luz frutificando perdão. Não vejo as sobras, as sombras, nem flores murchas no chão. Tudo amadurece e se renova: As flores, os traços, as cores, reflexos luminosos dos meus beijos.   Tudo permanece invariavelmente mutável: A dança sutil da […]

Raio

Como um raio. Era assim que sua presença se anunciava ao redor. Não tinha medo, não tinha pudor. Era um raio. E caía violentamente sobre nossas cabeças, sobre nossos instintos. Instantaneamente causava suor. Seca, brilhante e fulgás. Ela passava e tomava o seu lugar,  cheia de si. De repente, havia só o seu rastro. O […]